quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Ninguém


É meia-noite e ele está na rua, é Sábado, portanto algumas janelas ainda estão iluminadas e alguns bares ainda estão cheios, mas ele não conhece ninguém.

As pessoas riem e cantam, os postes estão bem acesos e apesar do horário a cidade está bem alegre. Os postes estão iluminando bem a rua e os prédios parecem mais altos do que o normal, na rua ele caminha solitário, os outros preferem evitar a chuva e nem notam sua presença enquanto ele transita, com a cabeça erguida e a mente em outro lugar. Um ou outro olham pra ele, mas ele não conhece ninguém.

O que ele sente? Alegria? Não parece. Tristeza? Não há motivo. Talvez as duas ao mesmo tempo? Ele está numa cidade alegre com pessoas alegres, mas lhe falta algo, não consegue ser triste por causa da cidade, não consegue ser feliz porque lhe falta algo.

Mas o que é? Nem ele sabe. Se soubesse seria mais fácil, não seria? Dinheiro? Não, ele não precisa, tem o bastante. Alegria? Não, durante o dia ele é alegre. Mas existe algo na noite que o torna outro ser, ele vê o mundo de outra maneira, é como se fossem duas pessoas, um de dia, um de noite. Talvez a noite lhe traga pensamentos, o som da noite, a própria Lua talvez... Ah, a Lua... Está bonita, não está? Cheia e brilhante.

Então a verdade vem mais uma vez: ele não conhece ninguém. Ele quer sair dali, ele quer se libertar, ele quer correr mas a terra o prende, ELE QUER GRITAR!!!!! Mas não sai som de sua garganta, está seca. Ele senta na calçada e tenta chorar, mas não consegue. Seu corpo não compreende o motivo de ele querer chorar, nem ele mesmo sabe por que quer chorar. Ele para, respira, se levanta.

Com um buraco no peito, volta a andar. Agora já são duas da manhã. Ele vai continuar andando até o sol nascer, então ele vai para casa. Amanhã será um novo dia... E uma nova noite

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