quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Loucura

Acordado, acordado, estou acordado. Por quinze ou trezentas vezes tentei inutilmente me convencer de que tudo era um pesadelo no qual eu era outro ser, ser este que tentava pensar como eu mas falhava miseravelmente. Perdia-se no meio do caminho quando não entendia por que pensava como eu e se confundia. A princípio ria deste ser, ria de suas tentativas de me imitar , mas no fundo com um medo terrível deste ser se mostrar ser nada mais nada menos que eu, na mais básica pureza de minha existência. Perdido, como um arquiteto que se perde em um labirinto por si próprio projetado. Despejei meu medo no ar, e tal medo foi contagioso. Me prenderam "para meu próprio bem". Não consigo me explicar, como se em minha boca houvesse um aparelho que misturasse as minhas explicações. Não me movo, mal respiro. Meu próprio cárcere vitalício está aprisionado, e em dupla prisão nada posso fazer a não ser falar comigo mesmo. Tic-Tac... Tic-Tac... Ouço e observo as horas passarem e, uma por uma, rirem da minha cara de desespero diante da falta de controle sobre mim mesmo. Em momentos de desespero me jogo contra as paredes acolchoadas, e de relance vejo a expressão monótona dos que me vigiam através de um quadrado. Por que me prendem? Não sou como os outros! NÃO SOU!!!! Não tenho alucinações, não finjo ser quem não sou, a culpa é apenas de meu corpo que se amotinou contra mim e não mais me obedece. Não posso fugir. Ou melhor... Talvez eu possa. Me deito no chão e ordeno ao meu corpo: "Pare! Faça silêncio, eu quero dormir!". E ele obedece. Me sinto leve, me sinto tranqüilo. Agora nada pode me impedir, nem meu duplo cárcere e nem aqueles que se julgam no direito de me aprisionar. Agora tudo acaba, e por mais alguns segundos ouço: "Tic-Tac... Tic-Tac..." e então, silêncio.

Um comentário:

Omaruk disse...

Bah, isso é uma fic?