sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Cotidiano

Estão vendendo verdades no centro da cidade
E os doutores se reúnem para reclamar
Dizem que não querem perder tempo
E que tudo deve parar

E o cantor de Blues da casa noturna
Vê os jovens rirem de tempos passados
E logo depois saírem para a rua
Provando que estão errados

E um gato qualquer num telhado qualquer
Não leva nada muito a sério
Dentre aqueles com a sua idade
O pobre gato se sente um velho

E os artistas de rua não vão bem
Sua arte não é mais atual
E na noite agitada da cidade
Ninguém para para vê-los dançar

E o escritor em seu apartamento
Vê as idéias voarem pela janela
A idéia lhe parece atraente
Mas ele volta a escrever

E os bêbados festejam a vitória
Mas a vitória nem mesmo é deles
Também, se não comemorassem assim
Não teriam muito pra celebrar

E o indigente não vai dormir
Tem o dia inteiro pra descansar
Mesmo não conhecendo ninguém
De noite ele se diverte

E o segurança da boate
Parece estar de bom humor
Seu trabalho não é dos melhores
Mas sua vida não deixa de ser

E a festa das pessoas importantes
No fim não nos importa tanto
Mas sim a garçonete que ve a tristeza
Por trás dos sorrisos dos ricos

E a garota ruiva está sozinha de novo
Mas isso não é bem um problema
Quase todos os outros são lixo
E até melhor assim

E o cartunista desempregado
Não tem muito o que fazer
Seus personagens o aconselham
"É melhor viver"

E o homem-placa então anuncia:
"Fujam! O sol vai nascer!"
E acrescenta, emocionado:
"Não deixe a vida morrer"

2 comentários:

Lully disse...

eu posso ser um gato qualquer em um telhado qualquer ?! por favor .o.

muitooo bom (: ADOREEI MESMO ;)

Mayara Kiwi disse...

garota ruiva... : )
hehehe
:)
boom texto!